sexta-feira, 30 de maio de 2014

capitulo 29

DEMI *



Demi por favor, explique de novo por que estamos indo pegar Joe Fuentes para levá-lo conosco a Lake Geneva — diz Selena.
— Minha mãe falou que não devo mais encontrar Joe fora do colégio... E chegou a me ameaçar. Então Lake Geneva é um lugar perfeito para estar com Joe. E ninguém saberá disso.
— Exceto nós.
— Mas sei que vocês crianças, não vão me trair... Certo?
Vejo Justin desviando os olhos. A princípio a ideia de passar o dia em Lake Geneva junto com Joe e meus amigos me pareceu boa. Achei que seria divertido... Bem, só preciso esperar que Selena e Justin superem  nos ver juntos como um casal.
— Por favor, não me fale mais sobre isso.
— O cara é um perdedor — diz Justin guiando em direção ao estacionamento do colégio, onde Joe está esperando por nós. — Demi é sua melhor amiga Selena... Tente colocar um pouco de bom senso na cabeça dela
— Já tentei, mas você conhece a Demi... Ela é tão teimosa.
Eu suspiro:
— Será que vocês podem parar de falar de mim como se eu não estivesse presente? Gosto de Joe. E ele gosta de mim. Quero nos dar uma chance.
— E como você pretende fazer isso...? — pergunta Selena — Mantendo a relação de vocês em segredo para sempre?
Graças a Deus chegamos ao estacionamento e assim eu não preciso responder. Joe está sentado na calçada ao lado de sua moto, com as longas pernas esticadas. Ansiosa, mordo o lábio inferior enquanto abro a porta traseira para ele. Quando Joe vê Justin ao volante com Selena ao lado, seu queixo se contrai.
— Entre Joe — eu digo chegando para o lado.
Ele obedece mas comenta:
— Acho que não vai ser uma boa ideia.
— Não seja bobo. Justin prometeu ser legal... Não é mesmo Justin ?
Espero a resposta com a respiração suspensa.
Justin balança a cabeça de um modo impessoal enquanto diz num tom monótono:
— Claro.
Tenho certeza de que qualquer outro cara no lugar de Joe teria ido embora. Mas ele se acomoda ao meu lado e pergunta:
— Aonde vamos?
— Lake Geneva — respondo. — Você conhece?
— Não.
— Fica a uma hora de distância. Os pais de Justin têm uma cabana lá.
Até parece que estamos numa biblioteca e não num carro. Ninguém diz uma palavra. Quando Justin para num posto para abastecer, Joe desce e acende um cigarro.
Eu me afundo no banco. O dia está longe de ser o que eu havia imaginado. Selena e Justin que geralmente são hilários quando juntos, estão com cara de enterro.
— Você não pode ao menos tentar conversar um pouco? — pergunto à minha melhor amiga. — Puxa, você é capaz de passar horas falando da sua raça predileta de cachorro... Mas não consegue trocar nem duas palavras com o cara que eu gosto.
Selena se vira no assento para me encarar:
— Sinto muito Demi. Mas continuo achando que você merece coisa melhor... Muito melhor.
— Como Zac você quer dizer?
— Como qualquer um. — Com um suspiro, Selena se vira para  frente.
Joe entra no carro e eu o recebo com um sorriso débil. Ele não me sorri de volta; pego sua mão e pressiono levemente. Joe não retribui o carinho, mas também não se afasta... Este é um bom sinal?
Depois que saímos do posto, Joe diz a Justin:
— Os parafusos da roda esquerda traseira estão soltos. Você não ouviu o barulho?
Justin dá de ombros.
— Faz tempo que esse barulho apareceu... Não é nada grave.
— Encoste que eu dou um jeito nisso. Se a roda sair na pista estamos fritos.
Vejo que Justin não confia na opinião de Joe, nem quer dar o braço a torcer. Mas cerca de um quilômetro e meio depois ele para, de má vontade na beira da pista em frente a uma livraria.
— Justin... — diz Selena apontando para a livraria — você sabe que tipo de gente frequenta esse lugar?
— Neste momento querida, eu realmente não estou ligando a mínima. — Ele se vira para Joe. — Ok chefe. Vá em frente.
Os dois descem do carro.
— Desculpe a bronca — eu digo a Selena. — Sinto muito.
— Eu também... Muito mesmo.
— Você acha que Joe e Justin podem começar uma briga?
— Talvez. É melhor a gente dar um jeito de distrair os dois.
Joe está tirando algumas ferramentas do porta-malas. Depois de erguer o carro com o macaco, ele pega a chave de rodas. Justin está com as mãos na cintura e o queixo erguido com uma expressão de desafio.
— O que há  Thompson?
— Não gosto de você Fuentes.
— E daí ? Também não vou com a sua cara. — Joe rebate ajoelhando ao lado do pneu e apertando os parafusos da roda.
Olho para Selena. Devemos intervir? Selena encolhe os ombros. Eu faço o mesmo. Os dois não chegaram a se pegar..... ainda.
Um carro se aproxima e de repente freia cantando os pneus bem ao lado do carro de Justin.
Dentro dele há quatro rapazes de origem hispânica. Joe os ignora enquanto guarda o macaco de volta no porta-malas.
— Ei gracinhas! — grita um deles pela janela. — Deixem esses babacas e venham com a gente! Vamos mostrar a vocês o que é bom!
— Vão se danar! — Justin grita de volta.
Um dos rapazes sai do carro cambaleante e avança para Justin. Selena grita algo, mas não estou prestando atenção nela... E sim observando Joe que tira a jaqueta e bloqueia o caminho do rapaz.
— Saia da frente cara — o rapaz ordena. — Não vá se rebaixar protegendo esse branquelo de merda.
Joe está cara a cara com o rapaz, segurando com força a chave de rodas que pende de sua mão.
— Se você ferrar com o branquelo de merda, eu ferro com você... Simples assim. Entendeu amigo?
Outro rapaz sai do carro. Estamos realmente encrencados.
— Meninas, peguem as chaves e entrem no carro — Joe ordena num tom firme.
— Mas...
Há uma calma letal nos olhos de Joe. Minha nossa... Ele está mesmo falando sério. Justin joga as chaves para Selena. E agora? Devemos sentar no carro e assistir à briga?
— Não vou a lugar algum — eu digo a Joe.
— Nem eu — diz Selena.
Um dos rapazes que ficou no outro carro põe a cabeça na janela:
— Joe, é você?
Sinto que Joe relaxa ao vê-lo:
— Tiny? Que diabos você está fazendo com esses pendejos?
O rapaz chamado Tiny diz algo em Espanhol a seus amigos que imediatamente voltam ao carro. Parecem quase aliviados por não terem que brigar com Joe e Justin.
— Só digo quando você me contar o que está fazendo com esse bando de gringos — diz Tiny.
Joe ri e diz:
— Caia fora daqui.
Quando voltamos ao carro, escuto Justin dizendo a Joe:
— Obrigado por livrar minha cara.
— Não foi nada — Joe resmunga.
Ninguém abre a boca até que chegamos aos arredores de Lake Geneva. Justin estaciona em frente a um sports bar para almoçarmos. Selena e eu pedimos salada; Justin e Joe preferem hambúrgueres.
O silêncio continua enquanto esperamos. Ninguém conversa. Chuto a perna de Selena por baixo da mesa.
— Hum... Bem... Joe... — ela começa — você viu algum filme bom ultimamente?
— Não.
— Entrou em contato com alguma universidade?
Joe responde “não” com um gesto de cabeça.
Para minha surpresa, Justin se levanta e assume o controle da situação.
— Com quem você aprendeu tanto sobre carros?
— Com Enrique meu primo — Joe responde. — Eu passava os fins de semana na casa dele vendo Enrique consertar carros que pareciam não ter mais jeito.
— Meu pai tem um Karmann Ghia 72 na garagem. Ele acha que só mesmo um milagre pode fazer aquele carro voltar a funcionar.
— Qual é o problema com o Karmann Ghia?
Justin explica e Joe o ouve com atenção. Enquanto os dois discutem os prós e contras de comprar peças recondicionadas para o motor pela internet, eu me recosto na cadeira e relaxo. A tensão de antes vai se desvanecendo ao longo da conversa.
Terminamos de comer e caminhamos pela avenida principal da Lake Geneva. Joe me dá a mão... E não consigo pensar em outra coisa que eu quisesse fazer, a não ser estar aqui agora, com ele.
— Oh, lá está a nova galeria — diz Selena apontando uma porta ao longo da rua. — E parece que estão inaugurando! Vamos ver!
— Legal — eu digo.
— Vou cair fora — diz Joe enquanto atravessamos a avenida atrás de Selena e Justin. — Não sou do tipo que se liga em galerias.
Isso não é verdade. Quando será que Joe vai perceber que não precisa viver de acordo com um estereótipo? Se ele entrar numa galeria é capaz de ficar bem surpreso... Pois vai entender que o ambiente não é nada do que ele imaginava. Joe pode até gostar e se sentir bem como se estivesse numa oficina.
— Vamos — eu digo empurrando-o para dentro. E sorrio interiormente quando ele entra.
Logo nos deparamos com uma grande mesa arrumada com requinte com vários tipos de alimentos. Cerca de quarenta pessoas estão presentes observando as obras de Arte expostas.
Dou uma volta pela galeria com Joe que parece tenso.
— Relaxe — eu digo.
— É fácil falar não? — ele murmura.

JOE *



Não sei onde Demetria estava com a cabeça quando resolveu me trazer para esta galeria de arte. Ela e Selena param na frente de um quadro e ficam falando coisas que para mim não tem o menor sentido. Estou me sentindo um peixe fora d’água neste lugar. Agora estou andando sem rumo certo e aproveito para dar uma olhada na enorme mesa cheia de coisas que nem dá para chamar de comida. Ainda bem que almocei antes de vir. Esse tal de sushi por exemplo... É uma coisa que dá vontade de por no forno para ver se fica comestível. Tudo é tão minúsculo e de repente uma travessa com sanduíches enormes... Vá se entender...
Ainda estou olhando para a mesa quando me batem nas costas.
— Esses devem ser servidos sem wasabi.
Eu me viro e vejo um cara branco e  baixo . Ele me faz lembrar do Cara de Burro e já fico com um pé atrás.
— Sem wasabi... — ele repete.
Se eu soubesse que porra é wasabi, poderia responder. Mas não sei... Então não respondo. E o cara faz com que eu me sinta um ignorante dizendo:
— Você não fala Inglês?
Minha mão se fecha pronta para dar um soco.
É claro que falo inglês seu idiota. Mas na última vez em que estive numa aula não me lembro de ter ouvido a palavra wasabi. Em vez de responder, ignoro o cara e me afasto para olhar os quadros. Paro diante de um que mostra um cão e uma menina passeando por uma coisa que me parece uma representação meio babaca do planeta Terra.
— Ah, aqui está você — diz Demetria se aproximando. Justin e Selena estão bem atrás dela.
— Demi, este é Perry Landis... O artista — diz Justin apontando para o cara que falou comigo e se parece com o Zac.
— Oh, meu Deus! Seu trabalho é incrível! — diz Demetria toda entusiasmada.
Ela disse “Oh-meu-Deus” como se realmente fosse uma perfeita idiota. Será que está brincando?
O cara vira a cabeça e olha seu quadro por cima do ombro.
— O que você achou desse? — ele pergunta.
— Acho que esse quadro mostra uma grande compreensão da relação entre o homem, o animal e a Terra.
Ah, francamente! Que papo furado!
Perry enlaça Demetria... Estou com vontade de começar uma briga bem aqui, no meio da galeria.
— Você é muito profunda...
Profunda é minha bunda. Ele quer é transar com ela... Coisa que se depender de mim, não vai acontecer nunca.
— Joe, o que você acha? — Demetria me pergunta.
— Bem... — coço meu queixo enquanto olho para o quadro. — Acho que toda essa coleção pode valer umas três notinhas de um dólar... Bem, um pouco mais... Uns três e cinquenta e está de bom tamanho.
Selena arregala os olhos e leva a mão à boca em estado de choque. Justin engasga com o drinque. E Demetria ? Como será que ela vai reagir?
— Joe, você deve a Perry um pedido de desculpas — ela me diz.
Sim, logo depois que ele me pedir desculpas por me perguntar sobre o tal wasabi. Sem chance...
— Estou fora — digo voltando as costas a todos eles e caminhando até a saída. — Fui !
Saio da galeria.
Acendo um cigarro que acabei de filar da garçonete que trabalha do outro lado da rua, e que resolveu fazer um intervalo para fumar e relaxar um pouco. Penso no tom de voz de Demetria quando me mandou pedir desculpas. Não sou bom para cumprir ordens. E porra, detestei ver aquele artista de meia-tigela abraçar minha garota. Sei que todos os caras querem pôr a mão nela de algum jeito... só para dizer que conseguiram tirar uma onda. Também sou louco por Demetria, também quero tocá-la, claro.
Mas não quero que ela queira mais ninguém... Só eu.
Também não vou aceitar que ela me dê ordens como se eu fosse um cão adestrado... Nem que me dê a mão apenas quando ninguém está olhando. Ela disse à minha mãe que vamos descobrir juntos o que queremos um do outro. Bem, de uma coisa tenho certeza: isto que aconteceu agora há pouco, eu não quero.
— Vi você sair da galeria — diz a garçonete quando devolvo seu isqueiro. — Mas lá só tem hoiteys...
Wasabi....
E agora hoiteys. Será que esse povo daqui pensa que realmente não sei falar Inglês?
— Hoiteys? O que é isso?
— Tipos hoitey-toitey... É assim que a gente chama aqueles caretas de colarinho branco sabe?
— Ah... Bem, definitivamente eu não sou um colarinho branco... Sou mais do tipo operário  que acabou vindo com um bando de hoiteys para cá. — Dou uma longa tragada, grato pela nicotina que me acalma de imediato. Ok, meus pulmões devem estar detonados, mas tenho uma certeza que me consola: provavelmente morrerei antes que meus pulmões resolvam acabar comigo.
— Meu nome é Mandy — diz a garçonete estendendo a mão e me lançando um sorriso. — Assim como você, sou mais do tipo operário
Seus cabelos são castanhos com reflexos ruivos. Ela é uma graça... Mas não é Demetria.
— Joe — digo apertando sua mão.
Mandy olha para minhas tatuagens.
— Eu tenho duas — ela me diz. — Quer ver?
Não, realmente. Tenho a impressão de que Mandy é do tipo que tomou um porre numa noite qualquer e resolveu tatuar o peito... ou a bunda.
— Joe ! — Demetria grita meu nome da porta da galeria.
Ainda estou fumando e tentando esquecer que ela só me trouxe aqui porque sou seu pequeno e sujo segredo. Acontece que não quero mais... Cansei de ser esse maldito segredo.
Demetria  nos vê... Aqui estamos, Mandy e eu, dois pés-rapados fumando juntos.
Minha quase namorada atravessa a rua. Seus sapatos de marca ressoam na calçada como a me lembrar que ela pertence a uma classe superior.
— Esta é Mandy — eu digo a Demetria só para provocar. — Ela ia me mostrar suas tatuagens sabe?
— Aposto que sim... — Os olhos de Demetria me acusam. — E você também ia mostrar as suas?
— Estou fora desse drama — diz Mandy jogando seu cigarro e amassando-o com a ponta do tênis. — Boa sorte para vocês dois. Deus sabe o quanto estão precisando...
Dou mais uma tragada; não queria me sentir assim, tão atraído por Demetria como estou me sentindo agora.
— Volte para a galeria querida. Vou tomar um ônibus para casa.
— Achei que iríamos passar um belo dia juntos Joe, numa cidade onde ninguém nos conhece. Você às vezes não tem vontade de passar despercebido como se fosse invisível? Acho isso tão bom...
— Pois eu não gostei nem um pouco quando aquele artistinha de merda me confundiu com um garçom. É melhor ser tratado como um bad boy do que como um capacho.
— Você nem sequer tentou ficar bem naquela galeria. Se relaxasse, se tirasse esse peso dos ombros teria se sentido mais à vontade... Você pode ser um deles Joe.
— Ah  é? Todo mundo parecia de plástico naquela galeria. Até mesmo você. Ora, acorde srta. Oh-meu-Deus! Eu não quero ser um deles entendeu?
— Claramente. E para sua informação, eu não sou de plástico. Você até pode chamar a minha atitude de “plástico”. Mas no meu meio, nós costumamos chamá-la de “atenciosa e gentil”.
— Isso no seu círculo social, não no meu. No meu meio, nós chamamos as coisas tal como são. E nunca, ouviu bem, nunca mais me mande pedir desculpas como se você fosse a minha mãe. Juro Demetria, que se você fizer isso mais uma vez, vai ser o fim.
Cara! Os olhos dela estão ficando vidrados. Ela me vira as costas... E tenho vontade de me dar um pontapé por ter magoado essa menina. Jogo meu cigarro fora.
— Sinto muito. Eu só não queria fazer papel de besta e foi exatamente o que aconteceu  não é? Mas só fiz isso porque não estava me sentindo bem lá dentro.
Demetria nem me olha. Eu a alcanço, acaricio suas costas... E fico aliviado porque ela não foge de mim.
— Demetria... — eu continuo — adoro estar com você. No colégio por exemplo... Fico procurando por você em todos os corredores por todos os lados. E assim que consigo pôr os olhos nesses seus cabelos de anjo, que parecem raios de sol... — digo passando meus dedos por eles — sinto que seria capaz de ficar a vida inteira olhando para eles.
— Eu não sou um anjo.
— Para mim você é. E se você me perdoar, prometo que vou até aquela galeria agora mesmo para pedir desculpas ao cara de bur... ao artista.
Ela arregala os olhos.
— Verdade?
— Sim. Claro que não estou a fim de fazer isso. Mas faço... por você.
A boca de Demetria se curva num pequeno sorriso:
— Esqueça. Agradeço sua disposição de fazer isso por mim. Mas você tem razão. O trabalho do cara... não é nada bom.
— Ah, vocês estão aí crianças — diz Selena. — Estávamos à procura dos dois pombinhos. Vamos pegar a estrada e seguir viagem.
Quando chegamos à cabana da família de Justin, ele bate palmas e pergunta:
— Piscina com hidromassagem... Ou um filme?
Selena olha pela janela que dá vista para o lago.
— Se você colocar um filme, vou acabar pegando no sono — ela responde.
Estou sentado com Demetria no sofá da sala pensando... Esta casa imensa que Justin chama de cabana é seu segundo lar. E é bem maior do que a casa onde moro... E tem hidromassagem... Puxa, essa gente rica tem de tudo.
— Eu não trouxe roupa de banho — digo.
— Não se preocupe — diz Demetria. — Justin pode lhe emprestar.
No vestiário da piscina, Justin abre uma gaveta.
— Deixe-me ver... Aqui só tem duas peças que nos serviriam. — Pega um short tipo boxer e também uma pequena sunga Speedo. — Isto serve para você? — pergunta me mostrando a sunga.
— Isto não daria nem para cobrir a minha bola direita. Vista você... Eu ficarei com este — digo pegando o short boxer. Só então percebo que as garotas sumiram. — Onde elas foram?
— Trocar de roupa... E falar sobre nós com toda certeza.
Enquanto entro no pequeno vestiário para me trocar, penso sobre minha vida... Aqui em Lake Geneva é fácil esquecer os problemas, ao menos por um tempo.
— Demi vai pagar bem caro por esse namoro... — Justin me diz quando saio do vestiário. — As pessoas já começaram a falar.
— Escute Justen... Eu gosto dessa menina como jamais gostei de alguém em toda minha vida. Não vou desistir dela. E sabe quando vou começar a me preocupar com o que as pessoas pensam? Quando estiver morto e enterrado.
Justin sorri e estende os braços.
— É isso mesmo Fuentes. Bem, acho que acabamos de viver um momento de cumplicidade masculina. Quer me dar um abraço?
— Nem pensar branquelo.
Justin me dá um tapa nas costas e então andamos até a piscina. Cumplicidade... é muito. Mas apesar de tudo, acho que tivemos um começo de entendimento. De qualquer jeito, ainda acho que isso não vale um abraço.
— Muito sexy baby — diz Selena olhando para a Speedo que Justin acabou de vestir.
Coitado do Justin... Tem que andar gingando feito um pinguim... Conforto é o que ele não tem com essa Speedo tão apertada.
— Juro que vou me livrar disso assim que entrar na piscina — ele resmunga. — Esta maldita sunga está esmagando minhas bolas.
— Não ouvi isso! — diz Demetria se aproximando com as mãos nos ouvidos. Seu biquíni bege  deixa bem pouco para a gente imaginar... Será que Demetria tem noção do quanto está linda? Parece uma flor, pronta para encantar, comover e iluminar qualquer um que puser os olhos nela...
Justin e Selena entram na piscina.
Pulo para dentro e me sento ao lado de Demetria. Nunca estive numa piscina desse tipo antes. E não sei muito bem o que a gente deve fazer numa coisa dessas. Será que vamos ficar sentados conversando ou vamos nos separar em casais e transar? Prefiro a segunda opção, mas Demetria parece nervosa... Principalmente quando Justin tira a sunga, atirando-a para fora da piscina.
Fico incomodado:
— Qual é cara...?
— Qual é ? Quero ser pai algum dia Fuentes. Essa coisa estava cortando minha circulação.
Demetria sai da piscina e se envolve numa toalha.
— Vamos lá para dentro Joe.
— Fiquem crianças — diz Selena. — Vou fazer Justin vestir aquela coisa de novo.
— Esqueça. Vocês dois fiquem à vontade... Nós vamos entrar — diz Demetria.
Quando saio da piscina, Demetria me dá uma toalha. Passo o braço por sua cintura enquanto andamos.
— Você está bem?
— Sim, muito bem. Pensei que você estivesse zangado.
— Estou legal. — Já na casa, pego uma estatueta de vidro e fico observando percebendo os detalhes. Então, digo a Demetria: — Esta casa, este jeito de viver... Tudo é muito bom, muito agradável e além do mais, gosto de estar aqui com você. Mas olho em volta e sei que isso nunca vai fazer parte do meu mundo.
— Você pensa demais. — Demetria se ajoelha no tapete e com um gesto me convida. — Venha aqui e deite-se de bruços. Sei fazer uma massagem sueca bem relaxante.
— Você não é sueca.
— Nem você. Então se eu fizer alguma coisa errada, você nunca vai saber.
Eu me deito perto dela.
— Pensei que as coisas iriam acontecer bem devagar em nossa relação.
— Uma massagem nas costas não vai mudar isso.
Meus olhos passeiam pelo biquíni fantástico que cobre muito pouco do seu corpo.
— Eu deveria saber que aquelas garotas com quem namorei usavam roupas demais... Nunca vi um biquíni tão pequeno.
Demetria me dá um tapa na bunda.
— Comporte-se.
Solto um gemido quando suas mãos se movem pelas minhas costas. Cara, que doce tortura... Estou tentando me comportar, mas isso é tão bom que meu corpo reage como se tivesse vontade própria.
— Você está tenso — ela diz ao meu ouvido.
Claro que estou. Com essas mãos passeando por mim desse jeito! Minha resposta é um segundo gemido.
Depois de alguns minutos dessa massagem que me deixa maluco, o som de murmúrios e vozes entrecortadas penetra na sala... Obviamente Justin e Selena pularam a parte da massagem e foram direto ao assunto.
— Você acha que eles estão fazendo aquilo? — Demetria pergunta.
— Acho que sim... A menos que Justin seja um cara muito religioso — digo, me referindo aos gritos de “Oh Deus!” que ele solta a cada dois segundos.
— Hum... Isso deixa você excitado? — ela cantarola baixinho em meu ouvido.
— Não, mas se você continuar com essa massagem, pode esquecer toda aquela conversa mole sobre “ir mais devagar”... — Eu me sento e olho para Demetria. — Só não consigo entender se você é uma provocadora e está me gozando, ou se é mesmo tão inocente.
— Não sou uma provocadora.
Ergo uma sobrancelha e então olho para meu baixo ventre onde a mão de Demetria repousa tranquila. Acompanhando meu olhar, ela a retira imediatamente.
— Oh, eu... não queria tocar você bem aí... Quero dizer, não realmente. Eu só estava... bem... o que quero dizer é que...
— Gosto quando você fica sem jeito — digo, fazendo Demetria deitar-se perto de mim e mostrando minha própria versão de uma massagem sueca... Até que somos interrompidos por Selena e Justin.
Duas semanas mais tarde, recebo um aviso sobre a data do meu julgamento por porte ilegal de arma. Escondo isso de Brittany porque ela vai surtar se souber. E vai repetir mil vezes que um defensor público pode não ser tão competente quanto um advogado particular. A questão é que não posso pagar pelo trabalho de um cara desses. Preocupado com meu futuro, entro na escola pela porta principal e de repente alguém me dá um encontrão quase me fazendo perder o equilíbrio.
— Que droga! — Eu o empurro.
— Desculpe — diz o cara que parece muito nervoso.
Eu o reconheço então... É o Garoto Branquelo que conheci na cadeia. Sam aparece furioso logo em seguida. E ameaça o branquelo:
— Quer briga seu babaca?
Dou um passo e me meto entre os dois.
— Sam, qual é o problema? — pergunto.
— Esse pendejo estacionou na minha vaga — diz Sam apontando para ele.
— Certo. E o que aconteceu depois... Você achou outra vaga?
Sam está inflexível, pronto para acabar com o cara.
— Achei — ele responde sem entender minha atitude.
— Então deixe o cara em paz. Eu o conheço... Ele é legal.
Sam reage surpreso.
— Você conhece esse imbecil?
— Escute... — eu digo lançando um olhar ao Garoto Branquelo que para minha felicidade, está usando uma camisa azul em vez da vermelha... Bem, mesmo com a azul ele continua meio nerd. Mas ao menos consigo fazer uma cara séria quando falo: — Este cara já esteve na cadeia várias vezes. Ele pode até parecer um idiota... Mas apesar desse cabelo e dessa camisa horrorosa, ele é macho pra caramba.
— Você está me gozando Joe — diz Sam.
Dando de ombros eu recuo:
— Tudo bem... Depois não diga que não avisei.
O Garoto Branquelo dá um passo adiante tentando parecer durão. Controlo a vontade de rir e cruzo os braços como se esperasse o começo da briga. Meus camaradas da Sangue Latino também esperam prontos para ver Sam levar a maior surra.
Sam olha para mim, depois para o Garoto Branquelo... E recua.
— Se você estiver me gozando Joe...
— Dê uma olhada na ficha policial do cara. Roubar carros de luxo é uma das especialidades dele.
Sam fica em silêncio pensando no que fazer. O Garoto Branquelo não espera. Caminha para mim dizendo:
— Se você precisar de alguma coisa Joe, pode contar comigo. — E ergue o punho num cumprimento.
Faço o mesmo e bato o punho contra o dele.
O Garoto Branquelo se afasta logo depois. E eu me sinto aliviado porque ninguém notou o quanto ele tremia quando me cumprimentou.....No intervalo entre o primeiro e o segundo período, encontro o Garoto Branquelo fechando seu armário.
— Você estava falando sério? — pergunto. — É verdade que posso contar com sua ajuda?
— Depois do que aconteceu hoje de manhã, pode sim. Eu lhe devo a minha vida — ele responde. — Não sei por que você resolveu me dar uma força, mas eu estava me borrando de medo.
— Esta é a regra número um: nunca demonstrar medo.
O Garoto Branquelo parece bufar... Acho que esse é o jeito dele rir. Ou isso, ou então ele sofre de sinusite.
— Vou tentar me lembrar disso na próxima vez que alguém me ameaçar. — Ele estende a mão. — Sou Gary Frankel.
Aperto a mão de Gary e digo:
— Escute, meu julgamento será na próxima semana. E não confio no defensor público. Você acha que sua mãe pode me ajudar?
Gary sorri.
— Acho que sim. Minha mãe é realmente boa. Se você for mesmo primário, ela com certeza conseguirá uma pena leve.
— Eu não posso arcar com...
— Não se preocupe com dinheiro Joe. Aqui está o cartão dela. Direi a minha mãe que você é meu amigo e ela não cobrará nada.
Enquanto Gary se afasta pelo corredor, penso nessas coisas que têm me acontecido ultimamente... Como é que um cara tão diferente de mim como Gary, pode se tornar meu aliado? E como é que uma garota loira pode me fazer olhar para o futuro... de frente?!

.......................continua

QUE ISSO !!!!  CAPÍTULO DIVERTIDO E UM POUCO QUENTE NEH ...PENA QUE NA HORA QUE IA COMEÇAR A PEGAR FOGO,SELENA E JUSTIN CHEGAM .....KKK
FAZER O QUE NEH ?!!  KKK  ELES AINDA VÃO TER O MOMENTO DELES ...E VAI SER ONDE DEMI MENOS ESPERA ...BOM ...E EM UM MOMENTO BEM COMPLICADO TAMBÉM .
BOM...ESTAVAM ME PERGUNTANDO SE O JOE VAI SOFRER MAIS DO QUE A DEMI ...
E COMO EU RESPONDI,SIM,ELE VAI PASSAR POR "UMA" ....MAIS EU APOSTO QUE VCS VÃO SENTIR MUITO ORGULHO DELE ...E O SOFRIMENTO QUE ELE VAI PASSAR,VAI SER POR UMA BOA CAUSA  !
A BRUNNA PERGUNTOU  O LINK DOS OUTROS FANFICS QUE EU SIGO ...OLHA,EU SIGO UM MONTE ...MAIS OS QUE EU REALMENTE LEIO SÃO POUCOS ....
SE VOCÊ OLHAR NO MEU HISTÓRICO E PROCURAR SELINHO,VC VAI ACHAR OS LINKS DOS BLOGS QUE EU LEIO OK !!
ENTÃO É ISSO GALERA ...BEIJOS ...E COMENTEM !!!   :)



11 comentários:

  1. Bom cara! Achei que ia ter uma discussão tipo "A DISCUSSÃO" por que eu amo barracos! Mais no fim tudo ficou bem, o que é bom. Mais gosto de babados e barracos dos grandes!
    Amei o capítulo ♥
    Quero maiiis :)
    Beijos

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    1. sabe que eu tb gosto de barracos,de uma boa discussão ..kkk
      adoooro ..kkkk ainda bem q deu tudo certo ....!
      obg pelo comentario ...bjsss :)

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  2. perfeito u.u
    ansiosa aqui para mais
    posta logoo diva
    beijos

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  3. Será que poderia dar uma olhada a um blog de fics jemi?
    A escritora regressou com nova história e não tem comentários.
    É esse o link: historiasdasilvia.blogspot.pt/
    Obrigada.

    Beijos.

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    1. claro que posso ...assim q puder dou uma passadinha lá ...e divulgarei aqui ..viu ...! ...bjss

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  4. uau esse capitulo foi mesmo um maximo mesmo

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  5. Só tenho uma coisa a dizer... perfeito como sempre! Poste lg! Kiss :*

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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