sábado, 12 de abril de 2014

capitulo 10


DEMI *



Quem é Joe ? — Esta é a primeira coisa que minha mãe diz, quando chego do aeroporto com meu pai.
— É um colega de escola. Somos parceiros no projeto de Química. — respondo, devagar. — Ei, espere um pouco... Como você sabe do Joe ?
— Ele esteve aqui, depois que você saiu. Eu o mandei embora.
A realidade me atinge, como se meu cérebro estivesse em plena sinopse. Oh, não!
Esqueci completamente de que deveria me encontrar com Joe, hoje de manhã. Penso nele me esperando, na biblioteca, e me sinto culpada. Achei que ele não fosse comparecer e, no final eu é que falhei. Joe deve estar furioso... E eu estou péssima.
— Não quero ver aquele rapaz por aqui — diz minha mãe. — Os vizinhos vão começar a falar de você.
Assim como falam de sua irmã... Sei que é nisso que ela está pensando. Espero poder morar, algum dia, num lugar onde não tenha que me preocupar com as fofocas da vizinhança.
— Tudo bem — eu digo.
— Você pode mudar de parceiro?
— Não.
— Você tentou?
— Sim, mãe, tentei. Mas a Sra. Peterson não permitiu.
— Talvez você não tenha tentado o suficiente. Vou ligar para a secretaria do colégio na segunda-feira e fazê-los entender que...
Concentro minha atenção nela, ignorando a dor, a sensação latejante perto da nuca, onde minha irmã me arrancou um punhado de cabelos.
— Mãe, eu mesma cuido disso. Não preciso que você ligue  para reclamar... Até parece que sou uma criancinha de dois anos!
— Foi esse tal de Joe quem ensinou você a falar com sua mãe desse jeito?
— Mãe...
Gostaria que meu pai estivesse aqui, para intervir. Mas, assim que chegamos  ele foi para o estúdio, checar seus e-mails. Meu pai é sempre omisso  nessas horas. Seria bom que ele fosse mais participativo.
— Se você se relacionar com um rapaz desprezível  como aquele, as pessoas vão considerá-la desprezível também. Seu pai e eu não criamos você para isso.
Oh, não. Já começou o discurso. Prefiro comer peixes vivos com escamas  a ouvir isso. Sei muito bem o que ela está dizendo, por trás das palavras: Shelley não é perfeita. Então, eu tenho que ser.
Respiro fundo, tentando me acalmar.
— Eu entendo  mãe. Sinto muito.
— Estou apenas tentando protegê-la — ela diz. — E você responde com essa falta de respeito...
— Tudo bem... Desculpe. O que o Dr. Meir falou sobre Shelley?
— Ele quer vê-la  duas vezes por semana, para fazer algumas avaliações. Vou precisar da sua ajuda  para levá-la.
Não conto à minha mãe sobre a política da Sra. Small, quanto às faltas  nos ensaios da torcida. Seria desgastante demais  nesse momento. Para ambas. Além do mais, o que me interessa é saber por que Shelley está tendo tantas crises seguidas. Felizmente, o telefone toca e minha mãe vai atender. Corro até o quarto de minha irmã, antes que ela volte com mais sermões. Shelley está sentada diante do computador, especialmente configurado para ela, batendo no teclado.
— Oi — eu digo.
Shelley me olha, sem sorrir.
Quero mostrar que não estou zangada, porque sei que ela não teve intenção de me machucar. Shelley não consegue entender nem mesmo os motivos pelos quais ela própria age.
— Quer jogar damas?
Ela responde “não” meneando a cabeça.
— Quer ver televisão?
Outro não.
— Quero que saiba que não estou zangada com você. — Chego mais perto, tomando cuidado para que ela não alcance meus cabelos, e acaricio suas costas. — Eu amo você, maninha. Você sabe disso, não?
Nenhuma resposta, nenhum gesto de assentimento, nenhuma palavra. Nada. Eu me sento na beira da cama de Shelley e fico assistindo enquanto ela joga  no computador. Vez por outra faço um comentário  para que Shelley saiba que estou aqui. Talvez ela não precise de mim  agora. Mas eu gostaria que sim... Pois chegará um tempo em que não estarei por perto  para ajudá-la. E isso me assusta. Pouco depois, deixo Shelley e vou para o quarto. Procuro no diretório estudantil da Fairfield  o telefone de Joe. Encontro e ligo  do meu celular  para a casa dele.
— Alô? — A voz é de um menino.
Respiro fundo, antes de dizer:
— Oi... Joe está?
— Ele saiu.

— Quién es? — Ouço a mãe do menino perguntar.
— Quem quer falar com Joe ? — ele me pergunta.
Percebo que estou roendo as unhas  enquanto falo:
— Demetria Lovato. Eu... sou colega de Joe, no colégio.
— É Demetria Lovato, uma colega do Joe, no colégio — o menino diz à mãe.
— Pegue o recado — eu a ouço dizer.
— Você é a nova namorada do Joe ? — o menino pergunta.
Escuto um tapa e um “Ai!”.  Então, ele diz:
— Quer deixar recado?
— Diga a ele que Demetria  ligou. Vou deixar meu telefone...

JOE *



Estou no velho armazém onde os membros da Sangue Latino se encontram  todas as noites. Acabei de fumar meu segundo ou terceiro cigarro... Já parei de contar.
— Tome uma cerveja e trate de melhorar essa cara — diz Harry, jogando uma Corona para mim.
Contei a ele que Demetria me deixou na mão  hoje de manhã. E tudo o que Harry  fez foi balançar a cabeça, censurando a minha atitude impensada de ir até a zona norte. Consigo pegar a lata com uma só mão, mas atiro-a de volta para Harry.
— Não, obrigado.
— Ei, o que há? Esta cerveja não é boa o suficiente para você? — diz Javier, provavelmente o mais estúpido membro da Sangue Latino.
O corno acha que pode manter o controle sobre as bebidas e as drogas que usa... Olho para ele com  ar de desafio, e nem respondo.
— Ô, cara, eu estava só brincando — ele diz, completamente bêbado, enrolando as palavras.
Ninguém quer encarar uma briga comigo. Provei meu valor  no meu primeiro ano na Sangue Latino, numa briga feia com uma gangue inimiga. E pensar que  quando moleque, eu queria salvar o mundo... Ou, ao menos, salvar minha família. Nunca farei parte de uma gangue, eu disse a mim mesmo, quando cheguei à idade de entrar em uma. Vou proteger minha família com unhas e dentes. Mas, na zona sul de Fairfield, ou você faz parte de uma gangue, ou fica sozinho contra todas elas. Na época, eu sonhava com um futuro. Sonhos enganosos, claro... Achava que poderia ficar longe das gangues e, ainda assim  proteger minha família. Mas aqueles sonhos, e meu futuro, se acabaram juntos, na noite em que meu pai foi baleado e morreu a poucos metros do menino que eu era, então... Um menino de seis anos de idade.
Quando me inclinei sobre seu corpo caído, tudo o que pude ver foi uma grande mancha vermelha se espalhando por sua camisa. Aquilo me lembrou um alvo desenhado... Um alvo que ia se tornando cada vez maior. A próxima coisa de que me lembro é que meu pai soltou um suspiro... E foi assim: ele estava morto.
Não tentei erguê-lo, nem tocá-lo. Estava apavorado demais. Não disse uma palavra  nos dias que se seguiram. Mesmo quando a polícia me interrogou, eu não disse nada. Falaram que eu estava em estado de choque e que meu cérebro não conseguia processar o que tinha acontecido. Eles tinham razão. Tantas noites acordado, tentando me lembrar de como foi tudo aquilo... E nada. Não consigo nem recordar a cara do sujeito que atirou no meu pai. Se ao menos pudesse me lembrar, acabaria com aquele desgraçado.
Em compensação, minha memória hoje está uma beleza. A longa espera por Demetria... A mãe dela me olhando de cara feia... Coisas que eu quero esquecer, mas ficam grudadas na minha mente. Harry  toma meia lata de cerveja de um só gole... E nem liga quando ela escapa de sua boca e escorre pela camisa.
Quando Javier resolve conversar com os outros caras, Harry  me diz:
— Cara... A Carmem deixou você pirado, não foi?
— Do que você está falando?
— Você não confia mais nas garotas. Essa história com a Demetria Lovato, por exemplo...
Eu resmungo um palavrão.
— Pensando bem... Passe essa Corona para cá, Harry.
Tomo a cerveja que ainda resta e amasso a lata contra o muro.
— Acho que você não quer me ouvir falar sobre isso... Mas vai, bêbado ou não. Sua ex-namorada latina, sexy, tagarela y caliente, sacaneou você, com outro cara. E então você resolveu dar uma volta por cima, sacaneando a Demetria.
Ouço Harry, relutante, enquanto pego outra cerveja.
— Você está chamando a minha parceira de Química de... “uma volta por cima”?
— Estou. Mas o tiro vai sair pela culatra e explodir na sua cara, porque você realmente gosta dela... Da garota branca e rica. Reconheça isso.
Não estou a fim de reconhecer nada. E digo:
— Eu só quero aquela garota... Porque fiz uma aposta.
Harry  ri tanto, que tropeça e cai sentado no chão do armazém. Aponta para mim, com a cerveja ainda na mão:
— Você  meu amigo, sabe mentir tão bem  que está começando a acreditar nessa lorota. Aquelas duas meninas são totalmente diferentes, cara.
Pego mais uma cerveja. Enquanto abro a lata  penso sobre as diferenças entre Carmen e Demetria. Carmen tem olhos misteriosos, escuros, ardentes. Já os castanhos e  luminosos de Demetria parecem tão inocentes, a gente praticamente pode ver através deles, pode ver o que se passa dentro dela... Será que vão continuar assim  quando fizermos amor?
Droga. Fazer amor? Por que diabos estou pensando em Demetria  e em amor  na mesma frase? Estou realmente perdido. Passo a próxima meia hora bebendo o máximo de cerveja que consigo. Estou me sentindo bem o suficiente para não pensar... em nada.
Uma voz familiar, feminina, interrompe meu estado de torpor:
— Vai rolar uma festa em Danwood Beach — ela me diz. — Quer ir?
Olho nos seus olhos cor de chocolate. Mesmo com a mente meio turva, mesmo me sentindo meio atordoado, estou lúcido o suficiente para perceber que esse castanho é justamente o contrário do loiro... Não quero o loiro. O loiro me deixa confuso. Já o castanho é mais direto, sem rodeios, fácil de lidar.
Alguma coisa não está bem  por aqui... Mas não sei dizer ao certo o que é. E quando os lábios dela encontram os meus, não quero mais nada, a não ser apagar o loiro da minha memória... Mesmo que eu me lembre que o castanho pode ser bem amargo.
— Sim — respondo, quando meus lábios se afastam dos dela. — Vamos para a festa.
Uma hora depois, estou dentro d’água, até a cintura... Isso me dá vontade de ser um pirata e navegar por mares solitários. Claro que no fundo da minha mente enevoada sei que estou no Lago Michigan e não num oceano. Mas agora não quero pensar com clareza, e ser um pirata parece uma opção danada de boa. Nada de família, nada de preocupações, nada de loiras de olhos castanhos me encarando...
Braços que parecem tentáculos me envolvem pela cintura, apertando meu estômago.
— Em que meu homem está pensando?
— Em me tornar um pirata — respondo para o polvo que acaba de me chamar de seu homem.
As ventosas do polvo estão coladas às minhas costas e movendo-se em direção ao meu rosto. Em vez de sentir medo, sinto prazer. Conheço esse polvo, esses beijos, esses tentáculos...
— Se você é um pirata, vou ser uma sereia. Você pode vir me salvar.
Penso que  de algum modo, sou eu quem precisa ser salvo, porque sinto que estou me afogando nessa garota.
— Carmen — eu digo ao polvo de olhos cor de chocolate, que se transformou numa sereia muito sexy... E de repente o corte. Percebo que estou bêbado, nu, com água até a cintura, no Lago Michigan.
— Psiu! Deixe rolar... E goze.
Carmen sabe o que fazer para que eu esqueça a vida real e me entregue à fantasia. Suas mãos e seu corpo me envolvem. Ela flutua na água... Seu corpo parece não ter peso. Minhas mãos tocam os pontos que já toquei antes e meu corpo pressiona o dela, nos lugares certos, que bem conheço. Mas o encanto da fantasia não vem... Simplesmente não acontece. Ouço  então, as conversas e risadas dos caras que estão na margem do lago. Temos platéia. Meu polvo-sereia adora uma platéia... Eu, não.
Tomando minha sereia pela mão, começo a andar em direção à margem. Ignorando os comentários da turma, digo a ela para se vestir  enquanto pego meu jeans. Quando já estamos vestidos, tomo de novo a mão dela e  assim, caminhamos entre o pessoal até encontrar um espaço vago para sentar, perto dos nossos amigos. Eu me encosto numa grande rocha e estico as pernas. Minha ex-namorada se deita no meu colo, como se não tivéssemos rompido, como se ela nunca tivesse me traído... E eu me sinto preso, capturado numa armadilha. Ela dá uma tragada em algo mais forte que um cigarro... E passa para mim. Olho para o pequenino cigarro  que ela põe entre meus lábios.
— Isso aqui não está calibrado... está? — pergunto. — Estou chapado, mas a última coisa de que preciso é ser preso pelos tiras da Narcóticos, por porte de maconha e cerveja. Estou a fim de me anestesiar, não de morrer.
— É só Acapulco gold, meu homem — Carmem garante.
Talvez o Acapulco gold de Carmem funcione... Talvez apague de minha memória os tiros, as ex-namoradas e as apostas imbecis, como a de fazer sexo ardente com uma garota que pensa que sou a escória da Terra.
As mãos da sereia passeiam por meu peito.
— Posso fazer você feliz, Joe — ela murmura, tão perto que posso sentir o álcool em seu hálito. Ou talvez seja no meu... Não tenho certeza. — Você me dá outra chance?

Ficar alto e bêbado me deixa confuso. E quando a imagem de Demetria e Zac, abraçados, caminhando pelos corredores da escola me vem à mente, puxo Carmen para mais perto de mim. Não preciso de uma garota como Demetria. Preciso da quente e maliciosa Carmen, minha pequena sereia adormecida.

.......continua

NÃOOOOOOO  ...JOE NÃO PODE COMETER A LOUCURA DE VOLTAR COM CARMEM !
VOCÊS CONCORDAM COMIGO ????  ACHO QUE SIM NÉH !!!  KKKK
GALERA TALVEZ SEMANA QUE VEM JÁ COMEÇO COM A MARATONA OK ?!
AGUARDEM .....E COMENTEM BASTANTE ...BEIJEMI



5 comentários:

  1. espero que o joe não volte com essa bruxa kkkkkkk...
    tá perfeito
    posta logoooo ansiosa
    beijos

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  2. Eu vou dar uns socos nele isso sim, aprende ser gente Joseph. E a Demi que macacada esqueceu do gostosão esperando ela. Oh Deus. Preciso demais :))
    Fabíola Barboza

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  3. Vai ter capítulo hoje? Diz que sim

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