quarta-feira, 18 de junho de 2014

capitulo 34

JOE *



 O carregamento deveria ser entregue aqui, na reserva florestal de Busse Woods. O estacionamento e a área em torno estão às escuras. Apenas a luz do luar me guia. O lugar está deserto, exceto por um sedan azul com os faróis acesos. Entro no bosque e percebo mais adiante um corpo caído de bruços.
Corro naquela direção tomado pelo pavor. Quando chego mais perto do vulto, reconheço minha jaqueta. E é como se eu assistisse a minha própria morte. Ajoelho-me no chão e começo a virar lentamente o corpo.
Harry.
— Merda! — eu grito sentindo nas mãos o sangue ainda quente.
Os olhos de Harry estão vidrados, mas ele ergue a mão devagar e segura meu braço.
— Estou acabado.
Com muito cuidado, faço com que Harry apoie a cabeça no meu colo.
— Eu disse para você não se meter na minha vida. Não morra por mim Harry... É melhor você não cometer essa besteira ouviu? Porra, você está sangrando por todos os lados.
O sangue sai de sua boca em profusão.
— Estou com medo — ele murmura, estremecendo.
— Não me deixe. Aguente firme... E tudo ficará bem — digo, abraçando Harry sabendo que estou mentindo.
Meu melhor amigo está morrendo. Isso é definitivo. Não há nada que eu possa fazer para evitar. Sinto seu sofrimento como se fosse meu.
— Veja só quem está aqui... O cara que fingiu ser Joe... junto com seu amiguinho, o verdadeiro Joe. Só podia ser mesmo numa noite de Halloween!
Viro-me na direção dessa voz, cujo dono conheço muito bem: Hector.
— Não vi que estava atirando em Harry... — ele me diz. — Cara, vocês são tão diferentes à luz do dia. Acho que preciso fazer um exame de vista.
Hector me aponta uma arma. Mas não estou com medo. Estou com raiva. E quero respostas.
— Por que você fez isso Hector?
— Se você quer mesmo saber, a culpa é toda do seu pai. Ele queria sair da Sangue... Mas não há saída Joe. Seu pai era o melhor de todos sabe? Pouco antes de morrer, ele bem que tentou desistir. E então tivemos que lhe dar um desafio, um castigo... Mas em vez de surra, ou tôrtura, nós o mandamos receber um carregamento. Era esse o desafio: tráfico Joe. Tráfico de drogas, agora de pai para filho... — Hector começa a rir... E sua risada horrível fica reverberando em meus ouvidos enquanto ele aponta para Harry e volta a falar: — Se vocês dois conseguirem sobreviver... O seu pai vence. O estúpido filho da puta nunca teve uma chance. Pensei que pudesse treinar você para assumir uma posição invejável como um grande traficante e um grande vendedor de armas. Que nada! Você realmente é igual ao seu pai. Um cara que não tem palavra, um perdedor, um desistente... Um covarde!
Olho para Harry que mal consegue respirar. O ar já não penetra seus pulmões. Vejo seu peito manchado de sangue, o alvo vermelho aumentando de tamanho e me lembro do meu pai. Só que agora já não tenho seis anos. Agora tudo está claro como cristal.
Harry tenta erguer a cabeça... Meus olhos encontram os dele por um breve e intenso momento.
— A Sangue Latino nos traiu cara. — Essas são as últimas palavras de Harry que revira os olhos e cai sem vida, em meus braços.
— Solte esse cara, já! — Hector grita, brandindo sua arma no ar como um lunático. — Ele está morto Joe... Tal como o seu velho. Agora levante-se e olhe para mim, vamos!
Com muito cuidado, deixo o corpo inerte de Harry no chão e me ergo pronto para lutar.
— Ponha as mãos na cabeça de um jeito que possa vê-las. Sabe, quando matei seu pai, você chorou como um escuincle, como um bebê Joe. Chorou nos meus braços, sabe? Nos braços de quem matou seu pai... Não é irônico?
Eu tinha seis anos de idade. Se soubesse que Hector era o assassino, jamais teria entrado na Sangue.
— Por que você fez isso, Hector?
— Moleque, você não vai aprender nunca não é? Veja só... Tu papá se achava melhor do que eu. Mas mostrei a ele, não foi? O imbecil andou se gabando por aí, dizendo que a zona sul era um lugar muito bom de se viver... E que não havia gangues em Fairfield. Mas eu mudei esse quadro Joe. Coloquei meus rapazes para trabalhar, para recrutar gente em todas as famílias, todos os lares. A escolha era simples: quem não estava comigo, estava contra mim... O que significava correr o risco de perder tudo, até a vida. Isso meu caro, é o que faz de mim um homem poderoso, el jefe.
— Isso faz de você um louco.
— Louco. Gênio. Dá no mesmo. — Hector me empurra com a arma.
— Agora, ajoelhe-se. Acho que este é um bom lugar para morrer... Bem aqui, no meio da floresta, como um animal. Você quer morrer como um animal Joe ?
— Você é o animal, imbecil. Você poderia ao menos me olhar nos olhos quando for me matar, assim como fez com meu pai.
Hector começa a andar ao meu redor... E finalmente surge minha chance: agindo com rapidez, agarro-o pelo pulso e consigo derrubá-lo.
Hector pragueja e meio atordoado, consegue se levantar rapidamente, ainda segurando a arma. Tiro vantagem do momento e dou-lhe um pontapé nas costelas.
Hector cambaleia e consegue me acertar de raspão na cabeça com a coronha. Caio sobre os joelhos, me amaldiçoando por não ser invencível... Por ser apenas humano.
Lembro-me de meu pai e de Harry... Assim, ganho forças para continuar lutando, aqui, em plena escuridão. Tenho certeza de que Hector está só esperando uma chance para atirar.
Chuto as costas dele e perco o equilíbrio... Quando me aprumo, vejo Hector apontando sua Glock diretamente para o meu peito.
— Aqui é a polícia de Arlington Heights! Soltem suas armas e ergam as mãos de um modo que possamos vê-las!
Mal consigo enxergar as luzes azuis e vermelhas através da neblina e das árvores.
Levanto as mãos.
— Solte a arma, Hector. O jogo acabou.
Mas ele continua segurando a Glock, mirando meu peito.
— Largue a arma! — a polícia ordena. — Agora!
Hector está furioso. Posso sentir sua raiva vibrando na curta distância que nos separa. Sei o que esse covarde pretende fazer... Não tenho a menor dúvida: ele vai puxar o gatilho.
— Você está enganado Joe — diz Hector. — O jogo mal começou.
Tudo acontece muito rápido.
Salto para a direita enquanto os tiros espocam.
Pop. Pop. Pop.
Cambaleante, recuo alguns passos. Sei que estou ferido. A bala me atravessa a pele penetrando profundamente. Uma sensação de fogo se espalha por todo meu corpo, como se alguém me despejasse Tabasco. Então, meu mundo se apaga.

DEMI *



Acordo às cinco da manhã com o toque do meu celular. É Miley quem está ligando, provavelmente para me pedir algum conselho sobre Harry...
— Oi Mi, você sabe que horas são? — digo sonolenta.
— Ele está morto Demi. Ele se foi.
— Quem? — pergunto apavorada.
— Harry. Não sei se eu deveria ter telefonado, mas você acabaria descobrindo que Joe também estava lá e...
Aperto o celular com força:
— Onde está Joe ? Ele está bem? Por favor, diga que sim! Eu imploro, Mi... Por favor!
— Joe foi baleado.
Por um instante, espero ouvir as palavras que mais temo: “Joe está morto.” Mas não é isso que ela diz:
— Ele está sendo operado no Lakeshore Hospital.
Antes que Miley termine a frase, arranco o pijama e começo a me aprontar para sair. Meus gestos são trêmulos. Pego as chaves e caminho até a porta ainda ouvindo Miley, que relata o que aconteceu com todos os detalhes que pôde conseguir.
A transação da droga deu errado. Harry e Hector morreram. Joe foi ferido e neste momento está numa sala de cirurgia. Isso é tudo o que Mi sabe.
Desligo o celular e sigo para o hospital.
— Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus — repito, como se rezasse um salmo ao longo de todo o trajeto.
Depois que me entreguei a Joe ontem à noite, tive certeza de que ele faria uma escolha, que deixaria a gangue e o tráfico de drogas para ficar comigo.
Joe pôde trair nosso amor... Mas eu não posso. Um soluço me faz estremecer. Desato num choro profundo. Ontem, Harry me garantiu que daria um jeito de Joe não participar daquela transação sinistra... Oh, Deus! Harry  foi no lugar dele e acabou morrendo... Pobre e querido Harry !
Tento não pensar na possibilidade de Joe não resistir à cirurgia. Uma parte de mim morreria com ele.
Pergunto à recepcionista do hospital onde posso conseguir informações sobre o estado de Joe.
Ela pede que eu soletre meu nome e começa a digitar no micro. O som do teclado me deixa louca. Ela está demorando tanto que tenho vontade de agarrá-la pelos ombros e exigir que se apresse. Por fim, a mulher me olha com curiosidade:
— Você é da família?
— Sim.
— Grau de parentesco?
— Irmã.
A mulher meneia a cabeça, evidentemente incrédula e então dá de ombros:
— Joseph Fuentes foi internado com um ferimento a bala.
— Mas ele vai ficar bem, não é? — pergunto chorando.
A mulher volta a digitar.
— Parece que a cirurgia vai durar algumas horas, Srta. Fuentes. A sala de espera fica naquele corredor à direita. É uma sala cor de laranja... O doutor falará com a senhorita a respeito do seu irmão assim que terminar a cirurgia.
— Obrigada.
A mãe de Joe e seus dois irmãos estão na sala de espera, sentados em cadeiras cor de laranja. Ao vê-los, sinto-me congelar.
A mãe é a primeira a notar minha presença. Seus olhos estão vermelhos; lágrimas escorrem por suas faces.
Levo a mão à boca tentando conter um soluço, mas não consigo. As lágrimas me inundam os olhos... E através delas vejo a Sra. Fuentes abrir seus braços para mim.
Tomada por uma forte emoção, corro a abraçá-la...................
As mãos de Joe estremecem. Olho para ele. Estive aqui, sentada por toda a noite esperando que ele acordasse. Sua mãe e os dois irmãos também permaneceram a seu lado. O doutor disse que talvez ele levasse horas para recobrar a consciência. Umedeço uma toalha de papel na pia do banheiro e pressiono-a contra a testa de Joe. Fiz isso durante a noite enquanto ele transpirava e se debatia num sono bastante agitado.
Seus olhos parecem querer se abrir... É como se ele estivesse lutando contra o efeito dos sedativos para poder enfim acordar.
— Onde estou? — A voz de Joe soa entrecortada.
— No hospital — responde a Sra. Fuentes erguendo-se da cadeira de um salto.
— Você foi baleado — diz Nick com a voz carregada de aflição.
Joe franze a testa confuso:
— Harry... — ele diz por fim.
— Não pense sobre isso agora — digo, tentando conter a emoção sem muito sucesso.
Preciso ser forte, não por mim, mas por Joe... E não vou decepcioná-lo. Ele ensaia um gesto para alcançar a minha mão, mas seu rosto se contrai numa expressão de dor. Ele desiste.
Tenho tantas coisas para contar a Joe, tanto a dizer! Gostaria de poder mudar o passado. Gostaria de salvar Joe, de salvar Harry de seu destino sombrio.
Ainda muito sonolento e fraco, Joe me pergunta:
— Por que você está aqui?
A Sra. Fuentes acaricia seu braço, tentando confortá-lo.
— Demetria passou toda a noite ao seu lado Joe. Ela está preocupada com você.
— Preciso conversar com Demetria... — ele diz, ainda com a voz muito fraca. — Em particular.
Nick, Frankie e a Sra. Fuentes saem do quarto. E assim, temos um pouco de privacidade.
Joe tenta mudar de posição, mas se encolhe de dor e desiste.— Quero que você vá embora — diz, me fitando nos olhos.
— Você não pode estar falando sério — respondo tomando sua mão. — Não pode!
— Mas estou. — Ele retira a mão, como se esse simples contato comigo o queimasse.
— Joe, nós vamos superar tudo isso e seguir em frente. Eu amo você.
Ele desvia lentamente o rosto e olha para o chão. Então engole em seco e limpa a garganta:
— Transei com você por causa de uma aposta, sabe? — ele diz num tom ainda muito baixo, mas as palavras são claras. — Aquilo não significou nada para mim. Você não significa nada para mim Demetria.
Eu recuo atônita, enquanto as palavras cruéis de Joe penetram fundo em minha mente.
— Não — eu murmuro.
— Você e eu... Tudo não passou de um jogo. Apostei com Lucky que seria capaz de foder com você antes do Dia de Ação de Graças. Lucky apostou seu carro, um RX7 e eu apostei minha moto, o Julio.
Quando Joe usa a palavra “foder” para falar do nosso ato de amor, eu me encolho como se atingida por um duro golpe. Se ele chamasse apenas de “sexo”, já seria o bastante para me matar de amargura. Mas chamar de “foda”... é algo que faz meu estômago revirar. Deixo minhas mãos caírem ao longo do corpo. Quero que Joe retire o que disse.
— Você está mentindo.
Ele volta a me fitar. Oh  Deus... Não há emoção alguma nesses olhos que agora parecem de aço, tão frios e letais como as palavras.
— Se você acha que aquilo que aconteceu entre nós foi pra valer... Então você é mesmo patética.
Eu meneio a cabeça violentamente, num obstinado gesto de negação.
— Não me ofenda Joe. Não quero me sentir magoada. Não por você. Não agora. — Meus lábios tremem, enquanto faço uma súplica silenciosa: Por favor!
Ele não responde e eu recuo mais um passo, quase tropeçando enquanto penso sobre mim mesma, sobre a Demetria verdadeira, real, que somente Joe conhece.
— Eu confiei em você — digo num sussurro, como se pedisse um pouco de compaixão.
— Quem confundiu as coisas foi você... E não eu.
Joe toca o ombro esquerdo e estremece de dor. No instante seguinte, seus amigos irrompem no quarto. Devem ser seis, ou mais. Eles o cumprimentam, desejam melhoras, oferecem apoio e simpatia enquanto permaneço imóvel a um canto, totalmente ignorada.
— Como foi aquela história da aposta? — pergunto, elevando a voz sobre a agitação geral.
Todos me olham. Até mesmo Joe. Miley dá um passo na minha direção, mas eu a faço parar com um gesto.
— É verdade? Joe apostou que conseguiria fazer sexo comigo? — pergunto, usando a palavra “sexo” e não “foda”, como Joe  fez... Pois minha mente ainda se recusa a acreditar em suas palavras cruéis. Não. Não pode ser verdade.
Todos os olhares agora se voltam para Joe. Mas os olhos de Joe estão fixos nos meus.
— Podem contar — Joe ordena.
Um rapaz chamado Sam ergue a cabeça:
— Bem... Hum... Sim. Joe ganhou o RX-7 de Lucky.
Começo a me afastar de costas até a porta, tentando manter a cabeça erguida. Joe me olha  com uma expressão dura, impassível.
Com um nó na garganta, digo:
— Parabéns... Você venceu. Espero que goste do seu novo carro.
Quando alcanço a maçaneta e abro a porta, o olhar frio de Joe se transforma em alívio. Saio do quarto devagar. Já no corredor, escuto Miley me seguindo... E começo a correr. Quero fugir dela, desse hospital, de Joe. Quero deixar tudo para trás. Infelizmente não posso fugir do meu coração... Que dói  no recanto mais profundo do meu ser. De uma coisa tenho certeza: nunca mais serei a mesma Demetria. Nunca mais.

...........................continua

NOSSA !!!! SÓ EU QUE FIQUEI TODA ARREPIADA E CHOROSA COM ESSE CAPÍTULO ???
GALERA...PRA QUEM ACHOU ESTE CAPÍTULO MUITO TRISTE,ASSIM COMO EU,ENTÃO NO CAPÍTULO EM QUE JOE PASSA POR UMA AVALANCHE DE SOFRIMENTOS,VOCÊS VÃO CHORAR MUITOOO
...............BOM,SEM MAIS NADA PRA FALAR ..KKK
ATÉ O PRÓXIMO POST ......MUITO OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS ...BEIJOSSS


7 comentários:

  1. Eu tbm to chorosa aí meu Deus. Que capítulo intenso e esse Joe é um idiota, canalha, safado, sem vergonha, lindo, cachorro. Deveria ter morrido (brincadeira ou verdade??) Por fazer a minha Dem sofrer.... Que raiva que eu tô dele tomara que sofra muito run .... Amei, amei muito eu preciso demais capítulos. Não demore :)
    Fabíola Barboza

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    1. ola leia o meu blog a desculpe ficar te pedindo aqui ma nao tem ninguem no meu blog criei esses dias olink e esse http://jemiumromancesobrenatural.blogspot.com.br/2014/06/jemi-amor-e-guerra.html se voce ler o fic eu ficarei muito agradecida

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  2. minha nossa....esse capítulo mexeu com meu sentimentos ~lê eu a ponto de chorar~....
    joe foi cruel com a demi,mais entendi porque ele fez isso...
    enfim....poosta logoo
    minha diva <3 <3 <3
    beijos

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    1. ola leia o meu blog a desculpe ficar te pedindo aqui ma nao tem ninguem no meu blog criei esses dias olink e esse http://jemiumromancesobrenatural.blogspot.com.br/2014/06/jemi-amor-e-guerra.html se voce ler o fic eu ficarei muito agradecida

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  3. PQ!!!!!???? :'( O Joe foi um porco, canalha, estúpido!!!! Coitada da nossa Demi.
    Amo esta fic! Poste logo! Kiss :*

    PS: Eu tenho um blog com a minha bff se quiser ler é de jemi *_* Obg e desculpe o incomodo.
    http://smiletodaybecauseyouareonewarriorfics.blogspot.pt/

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    1. ola leia o meu blog a desculpe ficar te pedindo aqui ma nao tem ninguem no meu blog criei esses dias olink e esse http://jemiumromancesobrenatural.blogspot.com.br/2014/06/jemi-amor-e-guerra.html se voce ler o fic eu ficarei muito agradecida

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  4. Oi!Se quiser ajuda para a sua fanfic ou a betagem de algum capítulo ou ainda receber uma critica construtiva, foi criado um blog para isso.
    criticasdefanfics.blogspot.pt/
    E esse acima.
    Beijos.

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